Regras do Boxe

No Boxe, os pugilistas lutam num ringue elevado com um piso de lona , com 6,10 m por 6,10 m. Os lados são marcados por quatro linhas de cordas. Existem dois cantos – azuis e vermelhos – para cada adversário, para descansar entre cada round.

O Boxe Olímpico agora está mais parecido com o Boxe Profissional. A emoção e a dinâmica dos combates, estão mais próximas nas duas classes de Boxe e foi isto o que a AIBA (Associação Internacional de Boxe Olímpico) tentou para reconquistar o público que estavam cada vez mais longe do Boxe Olímpico.

O Boxe Olímpico passou por uma mudança muito grande, mudanças que prometem conquistar o público nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
As novas regras do Boxe Olímpico foram testadas pela primeira vez em Outubro de 2013 no Campeonato Mundial. Estas mudanças são para atrair o público e preparar o atleta Olímpico para o Boxe Profissional.

Antes a utilização de capacete era obrigatório, a contagem de pontos era baseada no toque e não na contundência e precisão. Os juízes utilizavam marcador electrónico e com tudo isto o Boxe perdia muita emoção. Mais uma consequência para o atleta era que ao deixar a prática de Boxe Olímpico ia encontrar uma adaptação ao Boxe Profissional muito difícil.

Hoje o sistema de pontuação é mais próximo com o Profissional e a AIBA (Federação Internacional de Boxe) criou uma nova liga, a APB (AIBA Pro Boxing), onde cada atleta pode combater como Profissional sem perder a elegibilidade Olímpica. Antes da criação desta liga se um Pugilista combate-se como Profissional, automaticamente era excluido do Boxe Olímpico. Esta mudança faz com que o pugilista tenha muito mais opções e esteja preparado para uma mudança na carreira.Apesar da proximidade nas regras do Boxe Olímpico e Profissional actualmente ainda existem as diferenças que vamos descrever.
Número de Rounds
Boxe Profissional varia de acordo com a organização do evento. 4-6-12 ou 8-10-12 rounds
Boxe Olímpico máximo de 4 rounds, varia de acordo com sexo e idade como descrito:

19 a 40 anos ELITE (Adulto)
17 a 18 anos JUVENIL (Uso obrigatório de capacete)
Masculinos ELITE ADULTO e JUVENIL (3 X 3 X 1)
Femininas ELITE ADULTO E JUVENIL (3 X 3 X 1) – Uso obrigatório de capacete
Ambos JÚNIOR (CADETE) – (3 X 2 X 1)
Legenda = (Número de Rounds X Tempo de Combate X Tempo de Descanso)

Equipamento
Boxe Profissional sem camisola, calção e calçados específicos para o boxe.

Boxe Olímpico camisola de alças e calção respeitando as cores do canto e calçados específicos para o boxe.

Luvas
Boxe Profissional
* 8 oz = 47 kg – 66 kg.
* 10 oz = 69 kg – +90 kg.
Boxe Olímpico *Adulto Masculino
* 10 oz = 49 kg – 64 kg.
* 12 oz = 69 kg – +91 kg.
* 10 oz todas as outras categorias/peso (Feminino/Juvenil e Cadete).
Fim do combate
Esta parte é mais detalhada e com mais diferenças para garantir maior proteção ao pugilista.
Boxe Profissional
* Quando o árbitro achar que o pugilista não tem mais condições, não existe contagem protetora com lutador em pé.
* Contagem inicia-se apenas se o pugilista for ao chão ou tocar com alguma parte do corpo no chão, excepto os pés, e após receber um ou mais golpes.
* Não há limites de contagem até 8.
Boxe Olímpico
* Quando o árbitro decidir que o pugilista não tem condições para continuar.
* Contagem protectora até 8 quando boxeador receber golpes mais potentes e o árbitro achar necessário proteger o pugilista.
* Adulto Masculino: Não pode exceder 3 contagens por round.
* Feminino, Juvenil e Cadete: Não exceder 3 contagens por round e com o máximo de 4 contagens até oito serem aplicadas num jogo.

* Receber a terceira advertência durante todo o jogo desclassifica automaticamente o pugilista

Pontuação
Boxe Profissional
O combate pode terminar empatado.
O Juiz faz a dedução do ponto quando ocorre a queda (contagem protetora).
Boxe Olímpico
Não existe empate, a ultima pontuação do Juiz é escolher em caso de empate qual é o atleta que merece a vitória.
Não há dedução de ponto em caso de queda (contagem protetora).

Existem diferenças na condução do jogo pelo árbitro que o tornam mais semelhante ao Profissional, mas no Olímpico continua a existir uma maior proteção do atleta, uma razão dessa proteção é a necessidade que um atleta olímpico tem de jogar em dias muito próximos o que é bastante diferente do Boxe Profissional.
Com isto o árbitro tem mais atenção para que os pugilistas não se lesionem, um corte por exemplo é impeditivo para continuar na competição pois não tem tempo de recuperação.

No Boxe Profissional o atleta combate geralmente 3 vezes por ano, tendo tempo para a recuperação e como existem tambem implicações financeiras o árbitro pode prolongar um combate ao máximo.
No Boxe Olímpico os juízes trabalham com o sistema de pontuação diferente. Muitas pessoas assistem aos combates e ficam frustradas quando o resultado não bate com o que ela esperava e parecia óbvio.

Até junho de 2013, o Boxe Olímpico era baseado num sistema eletrónico simples. Eram seleccionados 5 juízes para cada combate com a posição dos juízes atribuida através de sorteio. Ficavam sentados nas laterais do rinque, e quando um juiz via um soco acertar no oponente apertava o botão correspondente à cor do combatente que acertou. Quando os três juízes apertavam com no máximo no intervalo de 1 segundo era marcado ponto para o pugilista correspondente. Simples assim, bastava bater e correr. Quanto mais tocava mais ponto fazia, a TV ia mostrando os pontos e você sabia exactamente quem estava vencendo.

O novo Sistema de Pontuação consiste em perceber como os juízes avaliam o combate e definem assim o vencedor:
* São 3 Juízes para cada luta.
* O novo sistema de pontuação é de 10 pontos obrigatórios.
* No final de cada round os juízes têm que determinar o vencedor.
* O pugilista vencedor receber dez (10) pontos e o oponente nove (9) ou menos, dependendo do julgamento dado ao atleta de acordo com os critérios.
* Cada round tem que ter um vencedor declarado.
* No último round, o juiz deve indicar o vencedor do combate para os casos em que ocorra um empate na pontuação.

Exemplo de luta empatada Vermelho x Azul:

  • * R1 – 10 x 8
  • * R2 – 9 x 10
  • * R3 – 9 x 10
  • Total: 28 x 28

Os juízes determinam o vencedor com base nos seguintes critérios de pontuação:

  • 10 x 9 – Leve vantagem
  • 10 x 8 – Clara vantagem
  • 10 x 7 – Dominio total
  • 10 x 6 – Supremacia

E aqui estão os critérios para determinarem a pontuação:
– “Quantidade de golpes e qualidade na área permitida” – são os golpes com a superfície da mão fechada, na área permitida do corpo, com o peso do corpo ou do ombro, não infringindo nenhuma regra e tocando com clareza é considerada a combinação de golpes com maior peso.
– “Domínio do Ringue e do combate” – quando está controlando o andamento do combate, indiferente se está andando para trás ou para frente. O pugilista que usa o contra-ataque, por exemplo, acaba sempre andando para trás, mas ele claramente a chamar o adversário para dentro e controla o ringue a seu favor, muitos confundem andar para a frente com domínio do ringue.
– “Competitividade” – quando fica claro que está a tentar vencer o combate, mostra que veio para combater e que quer vencer, evita interromper o combate, procura sempre o adversário.
– “Superioridade técnica e tática” – quando domina melhor as técnicas do Boxe, tem base, postura a golpear, o golpe é claro e bem executado, a movimentação é leve e não perde o equilíbrio, joga os golpes com técnica, e tem uma estratégia definida durante o combate.
– “Violação do Regulamento” – quando faz faltas, faz jogo ilegal, infringe as regras, os golpes dados que infrinjam as regras são desconsiderados.
– “Considerar o round inteiro” desde o primeiro até ao último segundo
– “A contagem protectora não vale pontos!” Não é porque o pugilista teve a contagem que ele vai perder o round. Ele pode ter estado melhor todo o round e apanhar um alguns socos que façam o árbitro iniciar a contagem. Isto não implica perder a vantagem que conquistou durante todo o round, a contagem serve somente de PROTEÇÃO.

Com base nos critérios acima explicados, fica mais claro como é determinado o vencedor de um round.
Só como exemplo, um pugilista que fica desferindo golpes na guarda do adversário, aplica 10 golpes com técnica e potência na guarda e o oponente contra golpeia com um único soco que o atinge, fora da guarda, em áreas permitidas.
Nesse caso, o lutador que tocou com um golpe na área válida está em vantagem, pois apesar do volume, o primeiro critério de julgamento da luta é acertar golpes efetivos na área permitida do corpo.
Isto pode confundir o espectador e as claques que se impressionam por vezes com o volume de golpes, mas o critério avaliado pelos juízes é a contundência.

Outro exemplo, os pugilistas que giram os seus golpes são susceptíveis de atingir a área alvo com a parte interna da luva, como uma palmada.
Esses golpes abertos desferidos no calor do momento e que não acertam no alvo com técnica e qualidade são desconsiderados pelos juízes. Assim quando um lutador acerta no adversário com golpes sem efectividade não fica em vantagem, bastando o adversário acertar um golpe com qualidade para superá-lo.
Os lutadores tem que prestar atenção no clinching (situação no jogo onde os dois boxeadores se seguram ou apoiam mutuamente sem trocar socos) que é um recurso válido, porém não se deve considerar os golpes de quem está a segurar.

Possíveis resultados do combate:
Decisão Unânime:
* Três Juízes indicam o mesmo Pugilista como o vencedor do combate.
Decisão Dividida:
* Dois Juízes indicam o mesmo Pugilista como o vencedor mas un juiz dá vitória ao outro Pugilista.

Terminamos com uma frase de Muhammad Ali:
A luta é ganha atrás das linhas, no ginásio e na rua,
muito antes de eu começar a dançar sob essas luzes do Ringue.